O Que Nos Faz Sentir Falta: A Estranha Aversão Francesa ao Gelo
Ao retorno do clima quente em Paris, é um momento oportuno para homenagear Forest Collins, uma figura admirada no cenário gastronômico parisiense, que nos deixou este ano. Forest era a mente por trás do blog 52 Martinis e teve papel fundamental na formação da cena de coquetéis da cidade e na construção de uma comunidade vibrante. Sua ausência é sentida por todos.
O Lamento do Expatriado: O Que Falta?
Como uma expatriada americana vivendo em Paris, uma das perguntas que mais ouço é: "O que você mais sente falta de casa?" A verdade é que essa questão costuma me deixar em dúvida.
A Falta dos Amigos e das Coisas do Dia a Dia
Claro que sinto falta dos amigos, mas eles vêm me visitar com frequência, o que torna essa saudade mais suportável. Além disso, encontro substitutos razoáveis para muitos itens disponíveis nos Estados Unidos. Se não, a corrente contínua de amigos que visitam sempre traz algo que me falta aqui. Entretanto, há uma coisa que não posso pedir nem aos meus amigos mais próximos que tragam na mala: água congelada. Sim, você ouviu direito. O que mais sinto falta dos EUA é do gelo.
Quando estou em casa, sinto um prazer especial ao me sentar à mesa, seja em um modesto diner à beira da estrada ou em um restaurante sofisticado, e ser servida imediatamente com um grande copo de água cheio de gelo, aquele que faz barulhos divertidos e refrescantes. Enquanto isso, na França, é uma sorte se receber um pequeno copo de água morna após pedir… duas vezes.
Gelo: Um Luxo que Falta nas Casas Francesas
A aversão ao gelo não se limita apenas aos estabelecimentos comerciais; ela permeia os lares por toda a França.
Em minhas viagens a Seattle, brinco com as máquinas de gelo automáticas dos meus amigos, que produzem cubos eternamente gelados, e me encanto com essa generosidade. Na França, você seria afortunado em encontrar uma geladeira que tenha bandejas de gelo. E é ainda mais raro encontrar bandejas que estejam cheias antes de serem colocadas no congelador. Odeio quando me deparo com aquelas sacolas plásticas descartáveis, com bolhas azuis, utilizadas para fazer gelo em casa; considero ineficazes, como tentar fazer gelo usando um saco plástico de supermercado mergulhado em uma tigela de água e depois colocar no congelador.
A Influência de Uma Amiga Expatriada
Quando ainda morava nos EUA, tive uma amiga que passou alguns anos em Paris. Ela era minha fonte de inspiração sobre tudo que era europeu. Observava suas novas manias e sonhava com o dia em que também seria uma expatriada. Certa noite, ao sairmos para beber algo, ela pediu uma bebida “sem gelo”. Que atitude tão europeia! Naquele momento, percebi que havia um possível empecilho nos meus planos de me tornar uma francesa de verdade. Não consigo imaginar uma vida sem gelo. Não consigo imaginar uma vida sem coquetéis. E um coquetel adequado depende do gelo para existir!
A Cultura do Gelo em Paris
Viver em Paris por vários anos me proporcionou a oportunidade de estudar e tentar me integrar à cultura francesa. Porém, a aversão ao gelo ainda me é incompreensível. Recentemente ouvi uma piada que retrata essa situação:
"Por que os franceses não fazem gelo?"
"Porque não conseguem chegar a um consenso sobre a receita."
Após todos esses anos aqui, ainda não consegui entender essa profunda aversão. Talvez esteja relacionada à desconfiança que possuem em relação ao ar-condicionado.
Soluções para os Amantes do Gelo
Então, o que uma amante de gelo e coquetéis pode fazer em Paris? Às vezes, recorro a extremos, como levar gelo em bolsas térmicas quando vou à casa de amigos, ou presentear as pessoas com bandejas de gelo. Hoje à noite, vou jantar na casa de alguns amigos franceses que me pediram para preparar coquetéis. É claro que, para isso, enviei um e-mail ontem pedindo para começarem a fazer gelo.
Links Relacionados
Se você deseja explorar mais sobre os coquetéis em Paris, confira o site de Forest, onde compartilha suas experiências sobre os melhores bares da cidade e a rica cultura de coquetéis que ela tanto amava.
O Gelo Pode Ser Raro, Mas o Sorvete é Abençoado
Se as bebidas geladas são um desafio em Paris, felizmente, o sorvete não é. Não há lugar melhor para desfrutar de uma bebida fresca em um dia quente de verão do que em uma das melhores varandas de Paris.
Um Legado Imortalizado
Forest Collins não foi apenas uma escritora notável; ela foi uma figura central na cena vibrante de comida e bebida de Paris, que deixou sua marca ao promover a cultura dos coquetéis na cidade. Com seu blog 52 Martinis, ela se tornou uma referência de autoridade em mixologia parisiense e se dedicou a tornar a cidade mais acessível para os amantes do bom beber. Sua obra também incluía o podcast Paris Cocktail Talk, assim como contribuições para diversas publicações internacionais.
Ela era conhecida não apenas por sua perspicácia, mas também por sua generosidade e pela capacidade única de construir uma comunidade unida, que continua a inspirar os que ficam.
Perguntas Frequentes
1. Por que os franceses têm aversão a gelo?
A aversão ao gelo pode estar ligada à cultura do país, onde as bebidas são apreciadas em temperaturas mais amenas e raramente são servidas com gelo.
2. É comum encontrar gelo em restaurantes em Paris?
Não é comum. Na maioria dos casos, você receberá água morna e terá que pedir várias vezes para conseguir algo gelado.
3. Como os expatriados lidam com a falta de gelo em Paris?
Muitos expatriados, como a autora deste artigo, encontram maneiras criativas de trazer gelo para seus encontros sociais, incluindo o transporte de gelo em bolsas térmicas.
4. O que Forest Collins fez pela cena de coquetéis em Paris?
Forest foi fundamental para o crescimento e a popularização da cultura de coquetéis em Paris, através do seu blog e outros projetos que promoviam a mixologia na cidade.
5. Quais são as melhores opções de bebidas geladas em Paris?
Embora o gelo nas bebidas possa ser raro, há várias opções de sorveterias e cafés que oferecem sorvete e outras delícias geladas para refrescar os dias quentes.
Considerações Finais
A aversão francesa ao gelo pode parecer estranha para um observador externo, mas faz parte da rica tapeçaria cultural que é Paris. Enquanto procuramos uma maneira de entender essa peculiaridade, a paixão de Forest Collins por coquetéis e sua dedicação à comunidade gastronômica permanecem eternamente vivas. Para todos os que amam o gelo e as bebidas geladas, podemos sempre nos inspirar na forma como ela celebrou a alegria de compartilhar uma boa bebida entre amigos.