Expatriação desafios/oportunidades

Expatriação – desafios e oportunidades na visão de Mariana Reichardt

Foi num almoço entre amigos que tive o prazer de conhecer essa pessoa cativante, pois é, a expatriação tem dessas boas situações, conhecer, ouvir, dividir experiências e iniciar uma amizade.

Mariana é paulistana, formada em publicidade e tem dois filhos lindos. Em 2016 deixou seu país de origem para acompanhar seu marido que vive na França como expatriado. Apesar da pouca idade, já possui uma grande bagagem de histórias e uma delas esta aqui, relatada no blog para ser publicada e compartilhada. 

Mari, muito obrigada.

“Era uma manhã fria e havia um ventinho gelado, apesar de já ser verão. Final de junho de 2016. Eu chegava no aeroporto com meus dois filhos, de 3 e 6 anos, mais 5 malas. Junto trouxe a esperança, novos sonhos, outros renovados e a vontade de uma vida com menos medo e mais liberdade. Meu marido, que havia chegado um mês antes por conta do trabalho, nos aguardava com a alegria costumeira dos reencontros.

Era nossa terceira expatriação. Porém a primeira com as crianças. Não tinha a ilusão de que seria fácil, mas sabia que sobreviveríamos. Sabia que as crianças se adaptariam, elas se adaptam mais facilmente do que imaginamos. Sabia, também, que pra mim o desafio seria maior. Não só porque nós, adultos, acordamos dos sonhos mais rapidamente e a euforia do novo logo mais não estaria de mãos dadas comigo. Mas porque, também, havia tomado a decisão de parar de trabalhar por um tempo pra poder me dedicar às crianças. De uma certa forma, logo mais todos estariam de volta às suas rotinas de trabalho e escola, menos eu.

Já havia vindo a Paris algumas boas vezes a passeio e a trabalho, mas confesso que até hoje a beleza dessa cidade me deixa boquiaberta. Andar por aqui é sempre uma maravilha. Mas a vida não seria turismo, e a realidade parisiense logo iria me lembrar.

A língua é sim uma barreira. Não falar francês me custou, e ainda hoje me custa quando o assunto fica mais complexo, algumas decepções. Muitas vezes o maravilhoso Google Tradutor me ajudou, outras não foi tão eficiente assim (ou meu interlocutor não quis dar o braço a torcer a esse maravilhoso app e não se fez entender?). Se você quiser se inserir no contexto parisiense comece ontem a aprender sua língua.

Já a gastronomia, ela é acolhedora. Nada mal afogar as mágoas num maravilhoso magret de canard, em um pain a chocolat (ou dois!) ou ainda comer um queijo mais delicioso que o outro, com sabores nunca antes provados. Tudo isso regado a um bom champagne nacional. Nada mal.

Outro grande desafio para o nosso sangue latino, é o inverno. Mas confesso que a França me surpreendeu. Pra quem já havia morado em Londres e Nova Iorque, com muita neblina, muita neve e muito, muito frio… O inverno por aqui é mais gentil. Tem neblina sim, tem neve (muito pouca, mas ela aparece de vez em quando) e tem muito frio também. Mas tudo de uma forma mais amena, algumas vezes permeado por um solzinho que aparece para acalentar a alma.

De todas as dores e delícias de estar longe da nossa Pátria Amada, pra mim a distância da família e dos amigos é a parte mais difícil. Sabe quando somos crianças e vamos à escola nova no primeiro dia de aula? Seus pais te deixam na porta e você entra no colégio e pensa: e agora? Não conheço ninguém. Pois é, chegar num país novo te causa mais ou menos essa sensação. Mas assim como na escola, você vai falando com um no intervalo das aulas, com outro na hora do recreio… um pic nic aqui, um almoço ali. E quando menos nos damos conta, nos cercamos de pessoas novas, com suas histórias de vida muitas vezes tão diferentes das nossas, mas cheias de amor para compartilhar. Como sempre, é mais fácil e intuitivo nos cercarmos de pessoas com as quais temos interesses comuns. E a turma de brazucas por aqui é a minha turma. Sempre com uma dica pra te passar, uma novidade pra compartilhar ou simplesmente com um abraço pronto (que só a gente sabe dar!). Foi assim também nas minhas outras expatriações e hoje minha turma de brazucas está espalhada pelo mundo. Tenho contato com gente de muitas nacionalidades, gente boa, muito boa. E adoro! Mas é pra minha turma que eu grito quando preciso, e sempre me sinto acolhida.

Hoje, um ano depois, posso dizer que estamos bem adaptados. Foi um ano intenso, de muitas descobertas, algumas frustrações e poucas lágrimas. Um pouco menos colorido do que o postado no Instagram. Mas ainda sim um ano que ficará na memória, pelos bons momentos, pelo aprendizado e pelo crescimento.

Acredito que a vida em um outro país nos abre horizontes. Nos tira da zona de conforto. Nos faz repensar e nos reinventarmos. Quem passa por essa experiência, nunca passa impune. Mas sempre pra melhor. À bientôt!”

10 thoughts on “Expatriação – desafios e oportunidades na visão de Mariana Reichardt

  1. Adorei ler o relato da Mari , que mora no meu coraçao! A lucidez de sentimento e vivencia dela sempre me facinaram… é um relato que traz luz pra aqueles que terao esta experiência!
    Parabens pelo blog! Vou virar fã

  2. Muito bom teu relato Mari, consegue aglutinar amizades o teu desapego e relatos sem orgulho. Muito importante a alegria constante, apesar de nem sempre sentirem assim, para que os expatriados consigam conviver com esperança de realizações dentro da organização e sempre… transferindo as benesses para a familia. Parabéns pelo relato. Obrigado Prof. Simone Sampaio por abrigar com todo o teu coração esses relatos. Favor continuar, avante… Sempre!!! Luiz Carlos Cruz

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