Expatriação desafios/oportunidades

Expatriação – desafios e oportunidades na visão de Marcia Larosa

Esta semana quem dividi sua história sobre expatriação é a Marcia, uma carioca formada em Administração de Empresas e que abdicou 15 anos de profissão em uma Multinacional para acompanhar seu marido nesta experiência da expatriação.

Conheci a Márcia no restaurante Le Pario (categoria restaurantes) aqui em Paris, estávamos em 9 casais de brasileiros para saborear uma deliciosa feijoada. A alegria era geral, e naquela reunião entre amigos, tive o prazer de conhecer essa doçura de pessoa.

Nascida no Rio de Janeiro, ela e sua família já estão na Europa há 3 anos, e o ano passado 2016, seu marido recebeu uma proposta para ficar como funcionário local, o que segundo ela, mudou muito a vida da família pois perderam muitos benefícios, e talvez seja por isso que seu relato segundo ela “possa não ter passado um “mar de rosas“.

Obrigada Marcia por dividir essa experiência conosco.

Há 4 anos, eu e minha familia deixamos o Brasil para escrever uma nova página de desafios e grandes aventuras. Somos uma Família de 4 pessoas e viemos como expatriados. Começa então, a incrível aventura de adaptação e aceitação do “novo”.

Chegamos anciosos e com muitas expectativa, das quais a principal era ser feliz acima de qualquer coisa. Ao abraçarmos essa idéia em família, muitas adaptações foram necessárias, não somente na vida cotidiana, como também na revisão de conceitos, pensamentos e a própria inserção ao meio cultural, antes desconhecido.

Quando chegamos aqui em 2013 uma das maiores dificuldades foi a adaptação escolar e alimentar das crianças. Os Brasileiros são acolhedores, amorosos o que difere e muito do método escolar Francês, que precisam ser práticos e muito objetivos, não saberia dizer até que ponto esse processo é ruim ou menos recomendável , o fato é que como mãe me soava muito doloroso.

Para as crianças o domínio da lingua é gradativo e percebo a evolução no cotidiano, mesmo com toda a dificuldade de adaptação. Particularmente para mim o processo de adaptação foi e ainda é bem desafiador, pois como disse antes, morando fora do meu país e precisando se adequar à rotina, precisei abdicar de alguns conceitos e idéias e pôr mais a ” mão na massa”. Abracei as funções de Mãe, esposa, dona-de-casa, educadora, psicologa e outras mais que vamos descobrindo no dia-a-dia.

Deixei no Brasil uma vida profissional e me joguei de cabeça nessa aventura. Paralela a toda essa imersão de “novos desafios” vou me desenvolvendo como ser humano e como uma pessoa melhor, assim eu entendo. Quando digo que moro na Europa, há quem diga “que chique”, costumo dizer que a palavra “morar” se difere e muito da palavra “passear”, pois quando moramos, assumimos a responsabilidade de vivermos uma vida comum como se vive em qualquer parte do mundo, onde pessoas nascem, crescem e ralam pra sobreviver….

Muitos são os benefícios aqui, como o amplo acesso acesso à cultura (museus, teatros, exposições etc), o fácil acesso ao serviço público (hospitais, escolas, universidades, segurança social), infraestrutura da rede de transportes, isso sem falar nos vinhos e queijos de qualidade acessíveis a todos os gostos e paladares.

Mas há um outro lado tambem não tão facilitador como a regularização e emissão de documentos, há de se confrontar com uma certa burocracia, excesso de regras, e a certa intolerância em explicar aquilo que para eles, parece obvio.

Quanto ao idioma, esse sim é mais que desafiador, tarefa dificil de ser alcançada tão rapidamente.

Morar no exterior não é sinônimo de felicidade absoluta, até porque ela é relativa, eu coleciono a felicidade em cada momento em família, compartilhando as conquistas, vitórias e até mesmo as derrotas, porque estas também fazem parte do jogo.

A saudade é real das pessoas que amamos e deixamos no Brasil, a distância ensina o que é realmente essencial e que não se perde quando partimos: ” As pessoas” , elas permanecem lá, presentes, e a vida continua com prós e contras que todo o lugar tem, contas pra pagar, casa pra cuidar, filhos pra levar e buscar na escola, dias de chuva, dias de sol, momentos de tédio, momentos de alegria, mas uma coisa é certa, a recompensa é real.

Morar em outro País é a prova de que se pode mudar de vida, mudar de lugar, e criar recomeços.

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