Minhas experiências

Ser esposa de um expatriado

É difícil definir com uma só palavra o sentimento de ser esposa de um expatriado, mas fazendo uma analogia a vida eu diria com duas palavras  “morrer e nascer”.

Impactante eu sei, principalmente para as pessoas que distorcem essa estratégia empresarial como sendo um ganho na loteria.

Ser esposa de um expatriado me trouxe consequencias traumáticas, enquanto meu marido continuou a exercer uma atividade profissional mantendo uma vida social ativa, eu fui confrontada a realidade da vida cotidiana como, hábitos locais, logística das atividades diárias, as diferenças em relação ao tempo, a dificuldade da língua, a desilusão na busca de um emprego devido a ignorância dos processos de recrutamento e o não reconhecimento do seu diploma (há excessões).

O foco da empresa é o expatriado, enquanto que a família infelizmente, é apenas coadjuvante numa história em que pelo meu olhar particular, o sucesso deste processo depende do conjunto e não somente uma parte dele.

O sentimento da “morte” eu associo a vida que deixei no Brasil (minha língua de origem, minha cultura, minha profissão, meus amigos, minha família).

Aos poucos fui perdendo minha identidade pessoal e profissional porque me apoiava fortemente sobre minhas próprias referências e não conseguia percebe-las no país em que estou vivendo, é um aprendizado constante sem manual, por isso associo a palavra “nascer”.

O maternal foi o supletivo, 8 meses para aprender a língua (ler e escrever), a associação de bairro foi o jardim de infância, nele conheci pessoas e fiz amizades, com os vizinhos aprendi alguns hábitos culturais (bom dia ao te ver seguida da pergunta “Quando vocês vão embora mesmo”?

Foram dois anos para me integrar a esse novo modo de vida e durante este período conheci a depressão, tive crise de nervos, insônia, ganho de peso e uma vontade enorme de voltar ao meu país.

Hoje, felizmente consigo perceber claramente as diferenças entre as duas culturas de maneira mais objetiva e com isso gerenciar melhor essa situação. Com o conhecimento da língua dei continuidade aos meus estudo, um passo bem grande eu diria, do jardim de infância pulei para o MBA …(risos)

E os sonhos? Esses sempre existem e fazem parte na motivação da vida.

Será que vou realizá-los?

A resposta deixo para o futuro, mesmo ainda tendo dificuldade em administrar a ansiedade e achar que posso controlar o destino.

O maior ganho com tudo isso? Com toda a certeza não estão nas coisas, mas sim nas pessoas que estão ao meu lado.

Marido e filho (amo vocês)

12 thoughts on “Ser esposa de um expatriado

  1. Texto incrível, dolorido, mas muito bom! Também passei, e passo, pela experiência de ser esposa de expatriado! Mas consegui me recriar, não reinventar, recriar mesmo, porque parece que começamos do zero, como vc bem disse. De qualquer forma, sou grata a experiência pq encontrei minha missao: apoiar outras expatriadas! O resultado de tudo isso: http://www.leveorganizacao.com.br e http://www.expatriadas.com.br um grande beijo e que vc faça dessa expatriacao uma fonte de grandes e ricas experiências tb para vc!!!! Sucesso!!!

    1. Carmem, obrigada pelas palavras. Curti muito seu blog e seu projeto, já virei sua fã. Esse assunto precisa ser cada vez mais divulgado para que as decisões possam ser motivos sempre de sucesso tanto para a família, quanto para quem acompanha o expatriado e também para a empresa que na maioria das vezes enxerga somente o seu funcionário. Parabéns.

  2. Simone , vc é guerreira e vencedora, quantas experiências já viveu e desafios superou, fico feliz em saber que encontrou um companheiro, e continua sendo apoiada e amada pelo filhão.Convivemos por um curto período e sou sua admiradora ! Abraços e feliz vida aí. A coisa aqui não está nada fácil

  3. Querida Simone!!!!!!
    Tenho uma vaga ideia do que está falando e sentindo, fiquei por apenas três meses na Flórida e a barreira da língua e a falta de ouvir a voz e a segurança dos familiares e amigos doe muito, voltei mas voltarei pois sei que como você vamos conseguir vencer afinal somos brasileiras fortes e valentes força querida você já conseguiu

    1. As dificuldades fazem parte da trajetória, é legitimo o sofrimento causado pelas diferenças, mas também há recompensas e essas nos dão motivação para continuar acreditando que valeu a pena. Tem o meu apoio, beijo grande e obrigada pelo carinho.

  4. Cara Prof. Simone, acredito que você passou para o Doutorado direto, pois, enquando o expatriado está a busca dos resultados na organização e cobrado constantemente, não lhe sobra tempo, e com razão, para pensar nos outros. Infelizmente precisa, enquanto lá nos afazeres, concentrar-se nos seus problemas para tocar o processo adiante. Fazendo isso continua com maestria dominando a harmonia do outro lado, esposa e filho. O papel do outro lado é dificílimo, pois mesmo sofrendo as agruras, tem de fazer de conta para não causar desestímulos, muito embora, você fique altamente desistimulada. Cara Professora, já se passaram 2 longos anos, o teu crescimento foi explendido. Vi muitas coisas aqui nesse blog, tuas escritas, tuas fotografias, teus passeios, os queijos, os vinhos (faltam as videiras e as vinícolas), não vi as flores, ví os cadeados que já não existem. Vá em frente, utilize o blog para desabafar, mas, não desanime nunca. Você viu os prós e contras lá atrás e os prós foram superiores, então, os resultados serão magnificos. Continue e o teu doutorado saiu de letra… Parabéns, Professora Simone Sampaio.

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