Minhas experiências

Expatriado e os impactos sofridos pela sua família

Muitas pessoas já devem ter ouvido falar sobre expatriação, mas acredito que poucos saibam seu verdadeiro.

Quero contar aqui um pouco da minha experiência como esposa de um expatriado e apresentar pelo meu olhar particular os pontos positivos e negativos desse processo bastante complexo.

A expatriação é a ação de mudar de pátria, seja voluntariamente ou não.

Para a empresa as razões são diversas: abrir novos mercados, facilitar uma fusão ou aquisição, transferência de conhecimento, desenvolver habilidades de liderança global (Halcrow, 1999; Gregersen, 1999).

Para o expatriado defino como uma alternativa à doença econômica, agregar e compartilhar novos conhecimentos, busca por compensações financeiras, cargos mais elevados, maior autonomia e acessos privilegiados.

Tão logo meu marido e eu aceitamos a expatriação minha vida mudou completamente. Inicialmente tivemos o apoio da empresa em relação a mudança, escolha da moradia, contrato de escola para o meu filho e matrícula numa escola de línguas.

Os móveis que trouxemos do Brasil demorou 90 dias para chegar, e para suprir nossas necessidades iniciais tivemos que alugar os essenciais.

Já para situações básicas como por exemplo a localização de mercados, a utilização da rede pública ou particular de hospitais, o uso do plano de saúde, regras para utilização do transporte público, hábitos culturais, regras de condomínio e mesmo orientação sobre mudança de clima não nos foi dado nenhuma informação.

Depois que fomos alocados não tivemos nenhum acompanhamento por parte da empresa infelizmente, pois ao contrário, tenho certeza que o impacto negativo poderia ter sido amenizado em vários aspectos.

Para o cônjuge, a expatriação traz consequencias traumáticas, enquanto o expatriado continua exercendo uma atividade profissional mantendo uma vida social ativa, a esposa (meu caso) é confrontada a realidade da vida cotidiana como hábitos, logística das atividades diárias, as diferenças em relação ao tempo, a dificuldade da língua, a desilusão na busca de um emprego devido a ignorância dos processos de recrutamento e o não reconhecimento do seu diploma (há excessões).

Aos poucos a gente vai perdendo nossa identidade pessoal e profissional porque nos apoiamos fortemente sobre nossas próprias referências e não conseguimos percebe-las no país em que estamos vivendo.

Precisei de dois anos para me integrar a esse novo modo de vida, e durante este período tive depressão, crise de nervos, insônia, ganho de peso e uma vontade de enorme de voltar ao meu país.

Hoje, felizmente consigo perceber claramente as diferenças entre as duas culturas de maneira mais objetiva e com isso gerenciar melhor essa situação.

Já consegui definir 3 fases da expatriação (minhas experiências) e chego a conclusão que a família do expatriado faz parte essencial no processo de expatriação e deve ser considera tão importante quanto a dedicação ao seu funcionário.

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