Mãe a distância

Sinto falta ser chamada de mãe

Mãeeeeeeee….

Mãe cadê minha camiseta? Mãe cadê meu chinelo? Mãe cadê, não estou achando a toalha! Mãe, mãe, mãeeeeee aonde esta aquele jogo de carinhas? Mama você pode vir aqui por favor? Mãe eu perdi meu livro da escola! Mããããããe aonde você colocou a minha bola? Mãe aonde você guarda mesmo esse negócio aqui? Mamãezinha linda do meu coração será que posso ficar só mais um pouquinho com meus amigos? Cadê a mãe mais linda desse mundo? Ah mãe por favor, deixa vai, só mais um pouquinho, eu prometo, deixa vai mãêêê…

Quantas vezes eu escutei essa palavra num só dia, num só minuto? As vezes eu pedia para ele me chamar de Simone tentando aliviar um pouco meus ouvidos. Não, não, de jeito nenhum estou reclamando, estou até sorrindo lembrando de todas essas vezes que escutei a palavra mãe e sentindo falta do cansaço que me batia ao escutar repetidamente essa palavra do poder.

Você dúvida que mãe tem o poder?

Mãe tem o poder em buscar forças para brincar mesmo cansada por ter passado o dia inteiro trabalhando, mãe tem o poder de buscar na memória a tabuada do 7 numa sexta feira depois do jantar, mãe tem o poder da criatividade para encarnar o Daniel San do Karate Kid e se defender das artes marciais do seu filho, mãe tem o poder para abafar o choro na frente dele mesmo chegando ao seu limite do cansaço,  mãe tem o poder para fazer o papel de pai mesmo não sendo sua essa responsabilidade, mãe tem o poder de curar machucado quando sangra, de transformar lágrimas em sorriso, de reinventar a história do livro, mãe tem o poder do perdão mesmo para algo que ela jamais faria, mãe tem o poder de amar, amar incondicionalmente.

Mãe é poder estão ali, um do ladinho do outro, às vezes tão entrelaçados que parece um só e mesmo quando ela não sabe, ela tem o poder.

O que antes eu perdia nas contas, hoje me sobra dedos para contar as quantas vezes escuto ele me chamar, me chamar de mãe.

Esta mesma palavra que um dia soou como um martelo batendo numa parede dentro da minha cabeça, hoje soa como uma sinfonia me trazendo equilíbrio, é a canção para os meus ouvidos e a tranquilidade para o meu coração.

Hoje não, não me incomodo se é uma, duas ou dez vezes, se é as 8 da manhã, 4 da tarde ou 2 da madrugada, a verdade é que eu queria mais, muito mais, mas hoje sua experiência já lhe responde as perguntas, sua arrumação já lhe permite encontrar tudo que precisa e ficar mais um pouco com os amigos vira a prioridade desta vida adulta.

O tempo passa e a vida muda, se antes eu ensinava hoje eu aprendo, se antes a mãe era sua única e exclusiva referência de vocabulário, hoje faz cada vez menos parte das suas palavras diárias, mas não é pelo esquecimento é sim pelo aprendizado que essa pessoa denominada mãe passou para ele em todas as vezes que ele recitava, gritava ou simplesmente chamava pela sua mãe.

Se faz falta escutar ser chamada de mãe com aquela frequência? Claro que faz, mas a satisfação que dá saber que todo aquele poder atribuído a mãe mesmo nas horas mais difíceis e necessária está sendo recompensado pelas suas vitórias, é para se orgulhar e só tenho que comemorar.

Só mais uma coisinha, se precisar pode chamar, estou sempre aqui para te escutar.

Simone Sampaio

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