Minhas experiências

Minha casa, minhas lembranças

Hoje troquei mensagem com uma amiga, ela vai começar a empacotar as coisas da mudança para o seu novo apartamento, disse que pensou muito em mim nesses últimos dias, e desde que pegou a chave vem sentindo um aperto no coração por deixar seu cantinho.

Isso me fez pensar nas diversas casas em que eu morei. Voltando para a época da minha infância, eu me recordo de ter morado em 3 lugares diferentes com meus pais, o primeiro foi numa casa minúscula, havia somente um quarto com um banheiro, depois nos mudamos para uma casa maior, essa tinha 3 cômodos, para quem saiu de uma casa com apenas um cômodo me senti  quase que em um castelo, e por último, nós moramos de favor em um cômodo com mezanino, construída pelo meu pai no quintal da casa da minha tia. Foi uma infância muito simples.

Eu me lembro que as mudanças eram feitas em pequenos caminhões com a caçamba aberta. Sempre que eu via um caminhão de mudanças virava o rosto para não ver um espelho, pois de acordo com a teoria de não sei quem, ver um espelho num caminhão de mudanças dava AZAR!

Tão logo minha mãe morreu eu me mudei para o Japão, foram 3 apartamentos diferentes num total de 5 anos. Apartamentos simples, pequenos, os móveis na sua maioria eram usados. A preocupação estava mais na idade do imóvel do que no seu tamanho, isso porque nos apartamentos antigos não haviam chuveiros, os banheiros eram úmidos e de tempos em tempos um tal piolho de cobra insistia nas visitas indesejadas.

Depois que voltei do Japão, mudei de casa 5 vezes num total de 22 anos anos!

Quando eu comprei minha primeira casa, meu sorriso não cabia no meu rosto, uma recompensa de alguns anos de trabalho árduo. Mal sabia eu que essa felicidade já estava com os dias contados. Me separei um ano e meio depois e passados três anos, lá estava eu, mudando para um apartamento. Esse sim eu pensava ter sido a maior  conquista da minha vida, cada cômodo tinha paredes pintadas com cores diferentes, e na sala em especial, havia uma parede texturizada de cor laranja. Logo eu pensei! Quero uma cortina cor laranja e um pouf cor laranja para combinar. “A casa laranja”! Nos dias quentes de sol, era necessário usar óculos escuro dentro de casa para não ficar com dor de cabeça. Realmente eu não nasci para a decoração…

Foram 14 anos vividos intensamente, foi neste apartamento que me tornei super mãe, super pai, super estudante, super profissional, a verdadeira mulher maravilha, aquela tipo bombril (mil e uma utilidades). Amadurecimentos diários e que me levava somente para um caminho, para frente! E se as paredes falassem? Aquele apartamento teria muito o que contar…

Eu podia ter parado por ai, estava bem, me sentia bem, mas a vida tem suas surpresas, o acaso, o destino, o fruto da plantação, seja lá o nome que queria dar.

Um belo dia, batendo perna, eis que eu encontro uma amiga que eu não via fazia tempo. Ela estava trabalhando como corretora de imóveis e me convidou para um coquetel de inauguração de um novo empreendimento num bairro próximo ao que eu morava. A partir daquele dia entrei num sonho que eu jamais pensei em sonhar.

E o resultado do coquetel? O fechamento da compra de um apartamento!

Meu Deus! Eu não estava acreditando naquilo, um apartamento que ia além dos meus sonhos, que demais, que tudo, que luxo!

Depois disso, todo o tempo que eu tinha livre era planejando como seria a decoração. Claro que dessa vez o laranja não estava nem mesmo na flor dos finais de semana.

Foi um ano, somente um ano morando neste apartamento e em seguida me mudei para cá (França). Como foi difícil deixar aquele cantinho que em tão pouco tempo me enfeitiçou, meu refúgio adorável. Ver a empresa de mudança chegando para empacotar as coisas, levando alguns dos móveis para o caminhão e por último, fechar a porta pelo lado de fora com a sensação de que um pedaço de mim havia ficado lá dentro.

Eu não me recordo de ter tido uma proximidade tão especial com uma casa como eu tive com este apartamento. Eu sempre enxerguei as mudanças de casa como algo próspero, mas dessa vez eu sofri.

Mas passou! Três anos depois e eu quase nem lembro desse apartamento, a não ser na época do verão. Me recordo de colocar o relógio para despertar as 7 da manhã aos domingos, só para conseguir um lugarzinho bacana próximo da piscina.

Dentro de algumas semanas estarei de mudança novamente, esta chegando a hora para um novo recomeço. Não sei ainda quais as cores das paredes, se as janelas serão grandes, se terá vista para um belo jardim. Só sei que vou fechar esse apartamento que vivo hoje e vou levar tudo o que eu tenho direito, sem deixar nele nenhum pedacinho de mim. Todas as lembranças seguirão comigo em busca de novos horizontes, novos flashes, novas histórias.

O que me faz pensar assim? A positividade do dever cumprido, o ciclo que teve início, meio e agora esta chegando o seu fim.

Quando a gente tem convicção não tem desilusão, o caminho vai seguir e seu coração vai sorrir.

4 thoughts on “Minha casa, minhas lembranças

  1. Amei Simone!
    Acho que a maioria das pessoas já tiveram várias mudanças de casa, algumas boas outras nem tanto, mas talvez necessárias. Bjs e sucesso!

  2. Amei Si!!!!
    Aqui não é o fim de tudo. É o começo de muitas outras coisas. Dizem que a vitória da segunda casa é melhor que a primeira. Mudança é sempre bom. Saibamos aproveitar todas as oportunidades aqui nos dada. Sei um pouco da sua história e sei o quanto tu és vitoriosa…

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