Minhas experiências

A pergunta que não cala – Você trabalha?

Quantas vezes depois que decidi acompanhar meu marido em sua expatriação, eu ouvi a pergunta “você trabalha”?

Hummmm…perdi a conta.

A pergunta sempre aparecia no começo de uma amizade, nas apresentações mais formais durante um curso, com amigos de longa data e até mesmo vindo dos familiares.

Uma curiosidade normal, todos querem entender o meu papel dentro do contexto acompanhante de um  expatriado.

Bom, para quem é novo no assunto expatriação, saiba que na maioria dos casos, alguém terá que abrir mão da sua profissão, da sua família, dos seus amigos, da sua rotina e do seu ambiente de conforto, para cair de cabeça na viagem do outro, e no meu caso, fui euzinha.

E então, respondendo a pergunta, você trabalha?

Sim, sou dona de casa.

Depois que eu cai de cabeça nesta aventura, ou melhor, desafio, eu me tornei dona de casa por período integral, incluindo sábados, domingos e feriados, 24h por dia 365 dias do ano. Confesso que o sentimento inicial era de vergonha, me sentia desprestigiada, rebaixada por ficar em casa somente limpando, cozinhando, lavando e passando roupa, fazendo compra de supermercado, tirando o lixo de casa dia sim – dia não, mantendo a motivação para não ficar de pijama o dia inteiro dentro de casa, buscando informações na internet para ter assunto quando meu marido chegasse em casa, cuidando das unhas, cabelo, corpo e alma para me manter sempre bonita, atraente e super feliz.

Nossa cansei…kkk

A falta da independência financeira e do reconhecimento profissional, foi logo de cara um dos primeiros problemas que tive que superar para me tornar dona de casa, em seguida veio a busca pela perfeição com a limpeza, uma vez que eu não trabalhava fora eu me cobrava uma casa perfeita, depois não muito distante baixou a mestre cuca, claro, sem trabalhar eu tinha que caprichar nas refeições e sobremesas. E como driblar a baixa alto estima para se arrumar, causada pela falta de motivação, depois de um dia inteiro de faxina? Como encontrar energia para ficar agachada por 30 minutos ou mais cortando e tentando embelezar a unha do pé? E o medo de tirar um “bife” em vez da cutícula e ainda ter que enfrentar a dor no outro dia, tendo que lavar a louça que nunca acaba?

É, a vida de dona de casa não é moleza não, a gente cansa não só a cabeça mas principalmente o coração, desajusta o psicológico, coloca em pane o emocional.

Muitas vezes eu não me reconhecia, afinal mudei a cor dos cabelos para ter menos gastos, aprendi na marra a ser manicure/pedicure, troquei o salto alto pelo chinelo de dedo e tênis. Os diversos vestidos sociais usados para trabalhar, ficaram por muitos meses guardado num canto da casa, e as maquiagens? São as mesmas desde quando eu me mudei para cá.

Como sou exagerada!!!!!!

Não, não sou exagerada, sou realista.

Ser dona de casa pra mim virou uma super profissão, eu não tinha noção que para se tornar dona de casa por período integral, era preciso se tornar bacharel em culinária, especialista da limpeza, ter feito curso de MBA da alegria com foco na simpatia, compreensão e disposição, ser mestre em alto motivação, doutora em se reinventar e pós doutora em engolir o choro para controlar os gastos.

Piadas a parte, hoje tenho orgulho em dizer que sou dona de casa. MENTIRA, continuo não gostando em dizer que sou dona de casa, afinal nem todos sabem que ser dona de casa é uma profissão, claro, não existe essa categoria de trabalho nem tão pouco faixa salarial.

Mas eu entendi o quanto essa profissão tem sido importante para que a harmonia da minha casa esteja presente e que possibilite assim, um acolhimento necessário, para que os homens da minha vida, possam continuar a enfrentar os desafios do dia da dia.

Ainda penso sim naquela Simone que saiu do Brasil há 3 anos atrás, aquela profissional independente e dona de casa nas horas necessárias, mas consigo reconhecer o meu valor dentro deste processo, consigo entender que sem a minha presença tudo é possível, mas com a minha presença tudo fica mais fácil.

Tudo o que fazemos tem seu valor, basta somente entendermos isso, depois desse entendimento você se sentirá como a chave para o sucesso.

2 thoughts on “A pergunta que não cala – Você trabalha?

  1. Você não exerce mais a mesma profissão, nas deixou seu legado.
    No meu álbum de formatura vc está em várias fotos!
    Nunca me esqueci das suas aulas, e olha que minha memória é fraca.
    Sucesso sempre prof!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *