Mãe a distância

Ele veio nos visitar

o6 de Outubro

Fomos buscá-lo na estação de trêm, e lá esta ele com sua mochila nas costas, cabelo solto… que lindo.

Nos abraçamos!

Que sensação maravilhosa sentir o calor do seu corpo, pegar na sua mãe, beijar o seu rosto, ver o seu sorriso.

Eu queria saber de tudo, como tinha sido a viagem, se ele comeu no trêm, quem veio sentado ao seu lado, como estava sendo morar sozinho, dividir o apartamento com mais 4 colegas, queria saber sobre a faculdade, as aulas, os professores, as matérias, os livros, o clima, queria saber sobre sua rotina… eram tantas as questões que mal dava tempo dele raciocinar, ele se perdia nas histórias.

Durante o percurso ele sorria, dizia que Paris é mesmo muito linda e que sentia falta daqui.

Chegamos em casa e ele continuava sorrindo, dizia ser engraçado. Eu então lhe abordei:

Eu – Filho vai para o seu quarto, deixa a mochila lá…quer tomar um banho? Esta com fome?

Ele – Sim

Fui colocar a mesa, havia feito frango assado, ele disse que estava com vontade de comer esse prato.

Fomos então para a mesa, que momento maravilhoso foi aquele… estávamos felizes, sorrindo, conversando, ele se deliciava com o sabor da comida, dizia sentir saudades.

Quando terminamos ele disse que queria rever alguns amigos, disse que por coincidência a namorada também estava em Paris.

Eu por outro lado, preferia que ele ficasse em casa, mas eu não podia proíbi-lo, eu sabia que ele também sentia falta dos amigos. Confesso que fiquei triste, não queria dividi-lo com ninguém, um sentimento individualista mesmo, fazer o quê, era o que eu esta sentindo. A noite continuou, eu assisti um pouco de TV com meu marido e logo fomos dormir .

A noite não foi muito boa, acordei algumas vezes, sempre olhando o relógio para ver se havia alguma mensagem “dele”. Levantei algumas vezes da cama, fui até o quarto com o pensamento de que ele poderia estar lá dormindo, mas em vão, a porta continuava aberta e a cama vazia.

Em fim, o sono me pegou mais pesado e acordei às 9 da manhã, levantei um pouco assustada mas com a esperança que ele ja tivesse voltado, mais uma vez em vão, ele ainda não havia chegado e se quer mandado alguma mensagem dizendo que estava bem.

Fiquei triste.

As horas foram passando, segui com a rotina apesar do pensamento estar nele. Resolvi mandar uma mensagem, ela ficou ali, na caixa de saída. Tentei então ligar, a tentativa foi em vão, o celular estava desligado.

As horas foram passando e para minha surpresa nenhuma notícia dele, não aguentei e então chorei.

Fui sendo tomada por uma tristeza e uma preocupação, que logo foi acalentada por um abraço do meu marido. Alguns minutos depois o telefone toca, era ele, ao atender eu só consegui dizer bom dia filho e novamente comecei a chorar.

Por volta das 14:30h ele chegou, parecia tudo normal.

Fomos almoçar e começamos a conversar, não demorou muito e eu mais uma vez comecei a chorar, eu sei, eu choro demais, mas eu sou assim, sensível ao extremo, mas dessa vez as lágrimas caíam pela morte da avó dele, era a primeira vez que iriamos falar sobre ela frente a frente depois do ocorrido e eu sabia que ele estava evitando o assunto.

Aos poucos ele também não conseguiu mais controlar suas emoções e foi se entristecendo, colocando para fora sua angustia em relação a perda da avó, não bastando, falamos também sobre seu pai, um outro assunto que nos deixa profundamente sensíveis.

Cartas na mesa, almas mais leve, olhos nos olhos. A tempestade foi dando lugar a calmaria e aquela tarde nada fácil fez nosso corpo pedir cama, pedir sono, pedir por alguns momentos que nossa alma fosse levada para longe, levada para descansar e buscar um pouco de maturidade.

O final da tarde parecia um novo dia, acordamos mais felizes e ansiosos para recebermos alguns amigos e então nos deliciamos com um jantar especial que eu havia feito para ele. Muita conversa boa, histórias e mais historias e ao final uma noite regada de muito amor.

No dia seguinte resolvemos ir caminhar, saímos depois do almoço para passear em Paris, tempo suficiente para voltarmos bastante cansados, nos restou então um café da tarde com direito a bolo de chocolate e em seguida a arrumação da mochila para a volta ao novo lar.

Não podia faltar alguns conselhos, abraços e palavras de amor.

Ele seguiu para sua casa e nós voltamos para a nossa…

 

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