Mãe a distância

Difícil para mim, difícil para ele.

17 de Setembro

Gostaria que algumas datas fossem apagadas do calendário, da história, da nossa mente… hoje é um dia desses.

Como uma mãe diz a um filho que a sua avó morreu? Como fazer isso estando longe? Como dizer e ao mesmo tempo acolher?

A tristeza era grande mas mesmo assim eu resolvi ligar, liguei uma, duas, três, … cinco vezes, deixei recado. Ainda era muito cedo e ele deveria estar dormindo, celular no silencioso para não ser incomodado.

Algumas horas depois eu consigo falar com ele, meio sem jeito começar pelo básico.

Eu – Filho esta tudo bem? E ai, como foi sua noite, teve bons sonhos?

Ele ainda estava sonolento, com uma voz rouca, voz de quem acabou de acordar. Eu sei que ele atendeu o telefone porque era eu, talvez não atenderia se fosse outra pessoa…

Eu – “Filho preciso lhe dizer algo triste, é sobre a avó…”

Um silêncio se colocou entre nós…ele já sabia que ela não estava bem nos últimos dias.

Eu -“Filho a avó Elena partiu, infelizmente ela não resistiu a operação”

Do outro lado o silêncio ainda permanecia.

Eu -“Filho, esta tudo bem”?

E então ele responde:

– Sim, mas o que aconteceu mãe?

Eu – Ela teve duas paradas cardíacas essa manhã e não resistiu, eu estou indo para o Brasil, quero ajudar no que for preciso, você quer ir para o Brasil filho?

Ele – Eu não sei mãe, o que você acha, posso pensar?

Eu – Claro meu amor, mas você esta bem? Sei que não deve estar sendo fácil, mas ela descansou meu amor, ela estava sofrendo muito, seria muito difícil para ela continuar a viver e enfrentar essa doença.

Minutos depois voltamos a nos falar.

Eu – Bu tudo bem meu amor? Você decidiu?

Ele – Mãe eu acho melhor ficar aqui, não quero ver a avó num caixão, eu não sei o que é isso, prefiro manter a imagem da avó viva, alegre, sorrindo, como ela sempre foi para mim, o que você acha?

Eu – Eu entendo, você esta certo, espero que fique bem, vou te mandando noticias ok? Te amo meu amor e eu fico feliz por saber que você esta ao lado da Lou.

Meu coração estava em pedaços, triste pela perda dessa senhora maravilhosa, minha segunda mãe, e mais triste ainda por não estar ao lado do meu filho, não poder lhe abraçar.

A vida continua…

 

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